quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Extinção é para sempre – os casos do Elephantbird e Great Auk - Por Octávio Campos Salles (http://octaviosalles.com.br/blog)

Hoje eu vou reproduzir um artigo publicado pelo fotógrafo Octávio Campos Salles, postado em seu blog (http://octaviosalles.com.br/blog), em 13 de dezembro de 2011. Além de instrutivo e interessante, o autor conseguiu, no primeiro parágrafo de seu artigo, traduzir em palavras a tristeza do significado "extinção". Recomendo a todos uma visita ao blog mencionado, pois além do artigo é possível admirar as fotos deste excelente fotógrafo amante da natureza.

O artigo abaixo é de autoria de Octávio Campos Salles que gentilmente autorizou a reprodução - http://octaviosalles.com.br.blog


I suggest to visit the site http://octaviosalles.com.br/blog, where beyond the original text will be possible to see beautifull photos of birds and wild life, and undestand the sadness of meaning "extinction" in the opening paragraph.


Posted: 13 Dec 2011 08:17 AM PST
O termo extinção está tão presente nos dias de hoje que até julgamos como algo meio banal… “mais uma espécie foi extinta”, e assim a vida segue. Acho que poucos realmente param pra pensar a fundo que é uma espécie que habitou nosso planeta durante milhares de anos e é extinta quando o último sobrevivente morre. Ele some pra sempre, é um caminho sem volta. Em todos os casos a perda é enorme, e o planeta, um dos raríssimos com capacidade de abrigar vida, vai ficando cada vez mais pobre. Desde 1600 até os dias de hoje, aproximadamente 80 a 100 aves foram comprovadamente extintas (depende de como se enxerga as evidências), e claro muitas outras foram extintas sem mesmo terem sido descritas. O mais triste é que nos próximos anos muitas outras ainda seguirão o mesmo caminho!
Vou contar algumas histórias de extinções de aves que foram interessantes, embora trágicas. Vou começar pelo incrível “Great Elephantbird” e o “Great Auk”. Vou usar os nomes em inglês mesmo pois até onde sei não há tradução formal pra essas espécies.
Great Elephantbird (Aepyornis maximus)
Pelo nome já dá pra ver que essa era uma ave muito grande. Habitavam a ilha de Madagascar. Esses gigantes não voadores chegavam a 3 metros de altura e tinham pernas poderosas, e em termos de peso foi a maior ave conhecida, chegando a impressionantes 400kg!! Essa ave também botava o maior ovo conhecido, maior até que qualquer ovo de dinossauro, do tamanho de uma bola de rugby! De acordo com Étienne de Flacourt, governador francês de Madagascar, alguns indivíduos ainda sobreviviam por volta de 1650. Infelizmente ele foi morto por piratas algerianos em seu retorno à França, portanto sem poder elaborar mais sobre os avistamentos.
A causa da extinção ainda é um mistério, mas provavelmente teve grande influência dos humanos, que caçavam a espécie, em especial seus ovos, com frequência.
Great Elephantbird
Great Auk (Pinguinus impennis)
Essa seja talvez a ave extinta mais famosa do mundo, ao lado do Dodo. Sua história pode se comparar a uma tragédia grega. Essas aves marítimas não voadoras habitavam o Oceano Atlântico Norte, ocorrendo em diversos pontos da América do Norte, Groelãndia, Islândia e Europa. Apesar de terem certa similaridade com os pinguins do Atlântico Sul, não tinham nenhum parentesco com estes. Passavam 10 meses do ano em alto mar, caçando peixes e lulas, e só retornavam à ilhas oceânicas para a reprodução, em grandes colônias. Eram nessas poucas semanas em terra firme que os auks eram persseguidos por humanos. Há indícios de que a espécie já servia de alimento para seres humanos a 100 mil anos atrás, mas foi durante os séculos 16 e 17 que os auks passaram a ser persseguidos com mais intensidade. No início do século 18 a espécie já se encontrava limitada a algumas ilhas mais isoladas.
A maior colônia reprodutiva passou a ser na Ilha de Funk, em Newfoundland, no Canadá, onde as aves se concentravam em grandes números durante os meses de Maio e Junho. Infelizmente para os auks, a llha de Funk era o primeiro ponto de terra firme para os navegadores vindos da Europa em direção à América do Norte. Marinheiros famintos atracavam na ilha e matavam centenas de auks, presas fáceis. No final do século 18 esta grande colônia havia sido devastada e a espécie sobrevivia apenas em algumas poucas ilhotas isoladas na costa da Islândia. Em uma dessas, pelo menos, a espécie parecia estar segura. Era na Ilha de Geirfuglasker, que contava com correntes fortíssimas e ondas grandes, sem nenhum acesso para se atracar com um barco. Enquanto a espécie era massacrada em outras ilhas próximas, a colônia de Geirfuglasker sobrevivia.
Mas aí veio a tragédia que ninguém, nem mesmo o mais pessimista, poderia prever. No inverno de 1830 uma explosão em um vulcão submarino fez com que a ilhota de Geirfuglasker sumisse no mar, pra nunca mais reaparecer. Seria cômico se não fosse trágico. Em Maio, ao retornarem para a ilha, os auks viram que ela havia simplesmente desaparecido e escolheram a ilhota próxima chamada Eldey. Apesar de também ter o acesso difícil, não era impossível, e lá sim, o homem conseguia chegar e, de fato, chegaram. Havia cerca de 50 auks nessa ilhota. No mesmo ano da redescoberta, em 1835, 24 auks foram mortos. Um ano mais tarde capturaram mais 13 auks. Cada viagem trazia um número menor, até que em junho de 1844 apenas dois indivíduos, um macho e uma fêmea chocando um ovo, foram mortos. Nunca mais um auk foi visto.
A captura desses últimos 2 auks é descrita em detalhes por John Wolley e Alfred Newton, dois ornitólogos que na época pesquisaram a fundo o assunto. No dia 2 ou 3 de junho um barco a remo com 8 pessoas chegou na Ilha de Eldey, onde 3 homens desembarcaram. Logo eles viram dois auks em meio a centenas de outras espécies, como gaivotas. Persseguiram os auks e estrangularam os dois. Já sabendo da raridade da espécie, os dois homens resolveram pegar a estrada até a capital da Islândia, pra tentar vender os espécimes a colecionadores. No caminho encontraram um colecionador, que comprou os dois auks no ato. Não se sabe onde foram parar esses auks, mas há alguma evidência que mostra que podem ser hoje os espécimes à mostra em museus de Los Angeles e Bruxelas.
a Ilha de Eldey, último lar dos auks
Great Auk em um museu de Glasgow

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